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Video – Um segundo e meio

Esquentando para os dois monólogos de Marcello Airoldi:

Saiu no O Diário hoje, Capa do D+, uma matéria sobre as duas apresentações. Confira aqui.


Quanto tempo dura um segundo e meio?

Direto da Cia Teatro de Perto.

A vida é cheia de simultaneidades: pensamentos, ações, contradições, felicidades e tristezas, dores banalidades, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Há uma espécie de sincronismo entre pessoas, entre os fatos. Pessoas que nunca se viram vivenciam experiências similares simultaneamente, em lugares diferentes. Assim também aprece ser entre o subconsciente e a razão, pois, apesar de coexistirem, seus conteúdos são revelados em momentos diferentes, e os motivos “disso” e não “daquilo” vir à tona, é um mistério da dialética entre a consciência e a incosciência.

Em estudo científicos sobre tempo e espaço já se aventa possibilidades da existência de um tempo paralelo, com uma dimensão na qual fatos do passado coexistem com os do presente, sem dialogarem entre si, sem uma porta que facilite o contato entre eles.

De qualquer forma, é inegável a esit~encia de um tempo paralelo – ou seria enviesado? – ao tempo do relógio. Pelo menos na poesia.

Em sendo assim, é possível afirmar que a memória é o lugar possível da simultaneidade e diálogo entre passado e presente, como uma ponte entre ancestralidade e o futuro. Ora, onde está o homem que habitará a terra daqui mil anos? Em nós. O futuro passa, assim, a integrar a memória do homem.

No teatro, ciência da alma e da sociedade, é possivel revelar um tempo poético que reserva um estado que contêm todas as coisas, um fragmento de todas as experiências do homem sem cronologia histórica, sem envelhecimento, sem duração, mesmo que para isso o tempo cronológico seja empregado para possibilitar o entardecimento de uma trama apresentada ao público. Então, certa linearidade narrativa se faz necessária, já que ainda somos privados da faculdade de assimilar todas as coisas ao mesmo tempo.

Assim, não soa tão estranho a plenitude da vida, ser condensada num pequeno fragmento de tempo cronológico, instantes antes da morte. Condensada, não diminuida. Poéticamente isso é muito possível. Nesse instante, pleno, um estado diferenciado se instaura, uma capacidade de assimilação e entendimento descomunais distantes das capacidades cotidianas da percepção. Essa totalidade não está na duração do tempo, mas na poesia do instante, vertical, intenso, num tempo impossível de ser contabilizado.

UM SEGUNDO E MEIO – Cia Teatro de Perto

Dia 07/12 – 21h
Oficina de Teatro da Uem

Texto e Interpretação: Marcello Airoldi

Direção: Antonio Januzelli


Sobre “Café com Torradas”

Direto da Cia Teatro de Perto:

O texto, escrito por Gero Camilo, discorre sobre o homem atual, perdido em seu próprio individualismo numa sociedade burocrática e desorganizada. A peça fala da dificuldade de nos relacionarmos com o outro, do medo de abrirmos as portas para as novas possibilidades em nossas vidas, recebermos influências e nos transformarmos com elas.

Fala da ameaça que muitas vezes o outro representa para a preservação do “nosso mundo” e da vontade de mantê-lo intocável a todo custo.

Fulano conta sua própria história, ora de forma narrativa, ora descrevendo situações que viveu, ora revivendo os acontecimentos de fato. Lança mão de todas as possibilidades para contar seu drama particular.

Uma manhã qualquer alguém bate à sua porta perturbando o conforto de seu sono. Talvez por irritação, capricho ou pelo mau humor, ele se nega a abrir a porta.  Prefere escovar os dentes, prepara seu café com torradas enquanto o visitando insiste em incomodá-lo com batidas cada vez mais agressivas. Ele não abre.

A partir daí tem início uma série de acontecimentos que mudarão o seu dia. Fulano é “juiz” e “advogado” de si mesmo perante o júri-plateia e sua sentença talvez seja a consciência dos motivos que o levaram onde está.

CAFÉ COM TORRADAS – Cia Teatro de Perto

Dia 07/12 – 20h
Oficina de Teatro da Uem

Texto: Gero Camilo

Direção e Interpretação: Marcello Airoldi


Maringá verá Teatro de Perto

Uma boa notícia para essa semana:  Maringá foi contemplada com duas apresentações do repertório Teatro de Perto de Marcello Airoldi, que vai percorrer quatro cidades do Brasil. É o prêmio de teatro itinerante Funarte Myriam Muniz.

As apresentações serão na oficina de Teatro da Uem, na próxima terça-feira, dia 07. Café com Torradas, de autoria de Gero Camilo, direção e interpretação de Marcello Airoldi, começa às 20h e às 21h será apresentado Um Segundo e Meio, de criação e interpretação de Marcello Airoldi, direção de Antonio Januzelli.

No site de Marcello Airoldi, uma breve apresentação da Cia Teatro de Perto.

O principal objetivo do núcleo é montar espetáculos baseados essencialmente no trabalho de interpretação do ator, criando uma dramaturgia própria para favorecer sua busca criativa, ou utilizar trechos de obras consagradas da dramaturgia mundial, romances, contos e peças experimentais que sirvam de base para esse vasculho da expressividade do ator. Assim, além de percorrer caminhos que priorizem o ator, estudos de novos processos de dramaturgia fazem parte dos objetivos do núcleo.

Outra idéia é a eliminação total, ou de grande parte da cenografia, adereços e objetos utilizados para compor o espetáculo. Para nós o teatro, o jogo se dá, na relação do ator com o público, e é neste universo que queremos trabalhar.


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