Arquivo da categoria: Sobrecena

Fim do 1º ato

O Cénico – blog de teatro de Maringá completa três meses e encerra a primeira fase do laboratório. A partir de agora, esta página entrará em hiatus e ficará um tempo sem atualização, essa página que aos poucos foi se tornando lugar comum para algumas pessoas interessadas em teatro – surpreendendo em número de acessos, diga-se de passagem.

Como ferramenta experimental, o Cénico provou um pouco da recepção que um tema específico traria a blogosfera maringaense. Com divulgação restrita á redes sociais, alcançou marcas incríveis até para um site de conteúdo regional. Aprovada a iniciativa, partimos então para o segundo ato.

Novas seções, novas categorias, nova abordagem e inclinação textual. Uma mudança relativamente significativa, porém, só será possível após um período de pesquisa em comunicação e jornalismo especializado, um trabalho mais próximo da classe artística e uma investigação mais precisa do público alvo e das formas de divulgação.

Sob essa competência, o Cénico se prepara para um segundo ato ainda mais atrativo e substancial.

Cai o pano.


Confira os espetáculos do Festival de Curitiba

Pausa. Não poderia citar mais uma vez o Caderno G sem lembrá-los que uma grande cena teatral só é possível com veículos de comunicação que a represente devidamente. E nisso, a Gazeta do Povo cumpre bem o trabalho – legado deixado por Luciana Romagnolli, ex-setorista de teatro da capital, agora no mineiro O Tempo e blogueira do Travessias Culturais. Agora vamos ao que interessa:

Foto: Pablo Pinheiro.

Entre os dias 29 de março e 10 de abril, 31 espetáculos serão apresentados em diversos espaços da capital paranaense

O Festival de Curitiba anunciou nesta quarta-feira (9) as peças que compõe a programação da Mostra Principal. Entre os dias 29 de março e 10 de abril, 31 espetáculos serão apresentados em diversos espaços da capital paranaense.

Os ingressos serão vendidos a R$ 50 (inteira) a partir do dia 15 de fevereiro. A organização informou que a programação e os locais dos espetáculos podem ser alterados.

Confira abaixo a programação da Mostra Principal no Guia Gazeta do Povo:

“…” (Reticências)

A História do Homem que Ouve Mozart e da Moça do Lado que Escuta o Homem

Adultério

Anjo Negro

Antes da Coisa Toda Começar

As Próximas Horas Serão Definitivas

Comédia Russa

DNA, Somos Todos Muito Iguais

É Com Esse Que Eu Vou…

Édipo

Estilhaços

Inverno da Luz Vermelha

Labirinto

Ligações Perigosas

Marina

Marlene Dietrich

Me Salve, Musical

O Livro

O Último Stand Up

Os 39 Degraus

Pedras nos Bolsos

Preferiria Não?

Savana Glacial

Sete Por Dois

Sobre Trilhas Sonoras de Amor Perdidas

Sonhos Para Vestir

Sua Incelença, Ricardo III

Tathyana

Tercer Cuerpo

Tio Vânia

Um Coração Fraco


Festival de Curitiba atrai jovem cena teatral do Rio


Foto: Analu Prestes / Divulgação

Texto de: Lucas Neves, direto da Folha Ilustrada.

A cena carioca desembarca com uma delegação numerosa na capital paranaense, na próxima edição do Festival de Curitiba, que acontece de 29/3 a 10/4. A programação oficial será divulgada hoje, mas a Folha levantou os nomes de cerca de 20 espetáculos escalados para a principal seção do evento, a Mostra Contemporânea.

Essa divisão do festival tem, habitualmente, entre 20 e 25 montagens.

A representação do Rio é capitaneada por dramaturgos e diretores jovens, que vêm acumulando prêmios e elogios da crítica. Pedro Brício mostra sua “Comédia Russa” (com direção de João Fonseca), sobre a burocracia numa repartição pública.

Também leva na mala “Me Salve, Musical!”, em que um saguão de aeroporto entra em quarentena após uma suspeita de vírus –que empresta doses cavalares de felicidade a suas vítimas.

Já o dramaturgo Jô Bilac apresenta “Savana Glacial”, retrato de uma mulher que sofre de perda de memória recente e vê seu discreto sofrimento ser devassado por uma vizinha.

Autora de “Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária”, Daniela Pereira de Carvalho reprisa a parceria com o diretor Gilberto Gawronski em “As Próximas Horas Serão Definitivas”.

Completam a ala carioca “Antes de a Coisa Toda Começar”, da Armazém Cia., o musical “É com Esse que eu Vou”, de Charles Moëller e Claudio Botelho, “Tathyana”, espetáculo da Cia. de Dança Deborah Colker baseado na obra de Púchkin, “Labirinto”, amarração de textos de Qorpo Santo por Moacir Chaves e sua recém-criada cia. Alfândega 88, “Um Coração Fraco”, adaptação de Domingos Oliveira para Dostoiévski, “O Livro”, monólogo escrito por Newton Moreno e dirigido por Christiane Jatahy, e “Marina”, da Cia. PeQuod, que mescla Hans Christian Andersen e Dorival Caymmi.

Continua aqui.


A nova onda da dramaturgia

Olívia D’Agnoluzzo/Divulgação

Direto do Caderno G.

Após décadas em que o texto foi preterido no teatro nacional em favor de outras dramaturgias – da dança, do corpo, da estética – uma nova onda de estudiosos da palavra valoriza peças de autor. Um estímulo para isso foi a criação do Núcleo de Dramaturgia do Serviço Social da Indústria (Sesi). Em Curitiba, ele existe desde 2009.

“Muita gente ainda acha que escrever teatro é esperar baixar um ‘exu’, mas não é nada disso, há muito estudo e estratégia para construir uma grande obra”, diz o coordenador do núcleo, Marcos Damaceno. “É preciso ao menos conhecer as técnicas que existem.”

Entrando em sua terceira turma, o núcleo curitibano se prepara para mostrar no Fringe, mostra paralela do Festival de Curitiba, a partir de 29 de março, o que anda fazendo quinzenalmente no teatro José Maria Santos.

Entre 17 peças escritas por participantes e que devem ser publicadas em conjunto, uma será selecionada para montagem e apresentação dentro do Fringe. A escolha dos curadores Luiz Fernando Ramos e Gabriela Melão deve ocorrer nesta quinta-feira. Outros cinco textos serão apresentados em leitura dramática. No festival do ano passado, foi montada e encenada a peça Como Se Eu Fosse o Mundo.

Continua aqui.


Cénico entrevista Rogério Viana

“Só vira teatro quando ganha o espaço do palco. Antes é apenas intenção”

Jornalismo, poesia e dramaturgia se misturam para explicar as referências de Rogério Viana. Após uma troca de emails descobrimos um pouco mais sobre as referências e o processo de criação do autor de “Entrevista com o devorador  de ratos”.

Cénico – A título de introdução, nos conte um pouco como começou seu envolvimento com o teatro e quando começou a escrever.

RV – (..) Em 2002 fui morar em Salvador e, lá, trabalhando numa editora universitária acabei fazendo contato com duas atrizes que me propuseram escrever uma peça de teatro. Acabei me motivando e com um tema em mente, em uma semana escrevi minha primeira peça de teatro que nasceu com o nome de “O medo de te perder”, mas que, depois, em uma versão um pouco mais enxuta foi transformada em “Nas razões do nosso medo”. Depois de ter retornado de Salvador, em 2003 tive oportunidade de ver meu texto teatral ser lido por duas atrizes e um ator, na cidade de Piracicaba. E, definitivamente eu sentia que, a partir daquele momento eu tinha mesmo que estudar mais, pesquisar muito mais e escrever ainda muito mais o que fosse diretamente ligado à dramaturgia, ao teatro. (…)

Cénico – Sempre que leio um texto, como um exercício de desconstrução da obra, fico imaginando quais as possíveis referências do autor. Como é seu processo criativo? Finalizo essa pergunta com um trecho de pergunta de Dionelia para Lourenço: “Você pesquisa para imaginar? Ou a imaginação brota espontaneamente?”

RV – Sabe… é uma pergunta interessante essa. Eu disse, na primeira resposta, que sempre fui guiado no trabalho de jornalista a ter que cumprir pautas. Isso me obrigou a ir atrás de um tema (no caso das reportagens) e a pesquisar, a ouvir, a entrevistar. Depois a resumir tudo e escrever uma matéria, uma reportagem. No que você chama de “desconstrução”, esse exercício de caminhar do fim para o começo de uma obra, no sentido de entendê-la, de percorrer, talvez, os mesmos caminhos que o autor de textos tem que trilhar na feitura de sua obra, eu me motivei a escrever dramaturgia a partir de certas “pautas” (…)

Cénico – Em “Triste Inventário de Perdas”, tem uma passagem no esquete “Os livros que ficaram por lá” onde você cita diversos autores que, de alguma forma ou de outra, te influenciaram – e influenciam. Quais são as suas principais referências na criação dramatúrgica?

RV – Ah, sim… aquela lista de autores foram autores que eu pude ler, outros que eu nunca li, e vários, sim, vários deles foram autores dos livros que certa pessoa, certa vez, fez com que aqueles livros deixassem mesmo de ser meus. Mas isso pode ser ou não verdade. (…) Eu era fascinado pelas histórias do Monteiro Lobato. E foi dele a inspiração para ler muito, sempre, todos esses longos anos. Mas, também, somos, como disse antes, seres permeáveis pelas leituras e pelas vivências que fizemos e tivemos. Tudo pode ser referência na criação dramatúrgica. Tudo mesmo.

Cénico – Não pude deixar de notar a semelhança entre os nomes das personagens de “Entrevista com o devorador de ratos” e o escritor, ator e dramaturgo Lourenço Mutarelli. Queria que você nos contasse sobre essa escolha.

RV – Espertinho, você, hein? Pois então… é o que eu havia dito. Tudo pode ser referência na criação dramatúrgica. E no caso da escolha desses nomes foi feito mesmo de forma deliberada. Só que a referência ao Lourenço Mutarelli, de quem nunca li nenhum livro, mas assisti – e adorei – o filme “O Cheiro do Ralo”, que foi inspirado num dos seus livros não se deu por referência ou influência direta. Eu havia acabado de ler o livro “Os ratos”, do Dyonelio Machado. Um livrinho escrito nos anos 1930 muito interessante e inteligente e que, na edição que tenho, traz uma pequena entrevista com ele, o autor. A palavra ratos levou-me a fazer uma ligação entre ralo, sim, ralo que leva águas usadas para o esgoto. E esgoto leva a ratos. Uma coisa liga à outra. Então brinquei com isso (…)

Cénico – Quando veio para Maringá, Roberto Alvim comentou em tom profético: “De dois a cinco anos, Curitiba estará para o teatro como Seattle estava para o rock nos anos 90”. Como jornalista, você acompanha o otimismo de Alvim? Como você vê a cena curitibana de hoje?

RV – (…) Curitiba, sim, Curitiba será – e já está se transformando – num celeiro de novos e produtivos autores. (…) Mas uma montanha de textos de teatro, para mim, não tem o mínimo valor, sejam esses textos “singulares” ou de “qualidade”. Mas você dirá, mas isso é uma absurda afirmação. E eu defendo meu ponto de vista com uma questão muito simples. De que adianta você ter uma enxurrada de autores, uma montanha de textos escorrendo pelos vales da dramaturgia se poucos, pouquíssimos mesmos, textos forem levados ao palco. As bandas de garagem de Seattle não ficaram restritas às garagens. (…)

Cénico – Para encerrar esse primeiro bloco, cito um trecho de “Entrevista com o devorador de ratos”: “Nenhuma água fará sua sede aplacar. Você não necessita de água. Sua sede é outra. Você sabe o que pode saciar essa sede interminável.” Sua produção é uma tentativa que curar uma espécie de sede?

RV – Todos nós temos sedes que não se aplacam com essa boa água cristalina. (…) Quem escreve quer, sobretudo, ser reconhecido. Eu estou apenas escrevendo e fazendo escoar o que em mim, ao longo dos anos, está retido. O que virá depois, não sei. Ocupo-me apenas em escrever. Ah… lembrei-me de uma frase do autor Oscar Wilde: “O artista não tem convicções éticas. Uma convicção ética em um artista é um imperdoável maneirismo de estilo”. E arremato: Não se faz boa literatura e boa literatura dramática com boas intenções. (…)

Logo abaixo segue a íntegra:


Estudos de Dramaturgia Paraná

O jornalista, dramaturgo e diretor de produção teatral Rogério Viana escreve o blog Estudos de Dramaturgia Paraná, um importante espaço para divulgação do que tá acontecendo na cena da capital. Antes de criar o Cénico, procurei bons exemplos de blogs de teatro aqui do Paraná, e o Estudos de Dramaturgia foi um dos primeiros que encontrei, o qual acompanho diariamente.

Foi nesse espaço de interação também que tive acesso aos textos do Rogério Viana. Dono de um repertório de 16 textos – sendo 2 traduções – dos quais disponibilizo “Triste Inventário de Perdas” e “Entrevista com o devorador de ratos”.

Triste Inventário de Perdas:

Antes, uma explicação: o texto é formado por 12 quadros, 12 histórias, ou 12 lembranças, ou 12 episódios. Os três personagens – todos são Ernesto – participam dos quadros, das histórias, das lembranças ou dos episódios, muitas vezes não como eles mesmos – o Ernesto mais jovem, o Ernesto de meia idade e o Ernesto mais velho, na fase final de sua vida. O texto poderá ser lido – primeiramente – como simples quadros, como simples histórias, como simples lembranças ou simples episódios que podem ou não ter um caráter dramatúrgico, mas, são, sobretudo, narratúrgicos, pois unem-se na dramaturgia e na narração do que é revelado.

Entrevista com o devorador de ratos:

O texto “Entrevista com o devorador de ratos” foi um desafio para mim. Pois o que parecia ser uma mera entrevista, acabou revelando algo mais que o embate de duas personalidades tão diferentes e tão próximas. Diferentes por serem um homem mais velho, autor consagrado, e uma mulher, jovem, pesquisadora em busca de descobertas e de mistérios que sempre a atraíram. O que os aproxima é a linguagem aberta, desenfreada, com um tom para o exagero e a busca da verdade. Um embate que começa como se fosse um jogo de cabra cega, uma disputa de gato e rato, mas que, no final, mostra-se surpreendente pela crueza dos seus diálogos e o desafio de cada monólogo dos personagens com suas provocações e revelações surpreendentes.

Personagens: Um homem com cerca de 60 anos e uma mulher, jovem, na faixa dos 25 anos.

Rogério será um dos próximos entrevistados do Cénico. Em breve conheceremos um pouco mais desse blogueiro, jornalista e autor curitibano.

Para quem quer conhecer, vale a pena: http://estudosdedramaturgia-parana.blogspot.com/


Identidade teatral no Festival de Curitiba

Vi essa no Caderno G, da Gazeta do Povo. Destaco a última fala do diretor do Festival, Leandro Knopfholz.

“Essa mostra [CPC] é importante por defender ideias, juntar companhias e mostrar que em Curitiba há um movimento, é uma cidade onde não se faz simplesmente um teatro disperso. Isso é bacana e tende a chamar a atenção”.

Fica a dica.

Nas franjas do Fringe 2011

A união faz a força, apesar de ser uma expressão desgastada pelo uso contínuo, está se revelando uma solução para as companhias chamarem a atenção para as suas montagens no Fringe, a mostra paralela do Festival de Curitiba, que chega a sua 20.ª edição em 2011. No caso do Fringe, serão 350 espetáculos em cartaz, 138 deles de artistas curitibanos. Para se destacar em meio a tantas propostas, alguns grupos estarão em cena em “mostras paralelas” dentro do próprio Fringe, a exemplo do que já aconteceu em anos anteriores.

O Teatro Universitário de Curi­­tiba (TUC), situado na Galeria Júlio Moreira, será o espaço para a terceira edição do Coletivo de Pequenos Conteúdos (CPC), iniciativa que surgiu há três anos e traz no currículo elogios de crítica, do Diário do Nordeste à Folha de S.Paulo. O projeto surgiu da necessidade de quatro companhias locais, que se deram conta de que, juntas, poderiam ser mais visíveis do que se estivessem em cartaz individualmente. No Fringe de 2009, os grupos Tran­­si­­tória, Teatro de Breque, N.A.R.K.O.S.E e Companhia Sub­­jétil conseguiram atenção e aplausos durante cinco dias do evento.

Continua aqui.

Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo


%d blogueiros gostam disto: