Especial do mês: Sarah Kane

Depois das obras do dramaturgo britânico Harold Pinter, o Cénico apresenta outra britânica que, provavelmente influenciada pelas obras de Pinter, escreveu textos inclassificáveis e singulares. A produção teatral de Sarah Kane pontua sua própria história de vida:

“Sarah Kane nasceu em Essex, Inglaterra, no dia 3 de Fevereiro de 1971. Estudou teatro na Universidade de Bristol especializando-se em Artes na Universidade de Birmingham.

Mel Kenyon encantou-se com sua peça Blasted (Ruínas) – uma produção estudantil – e tornou-se seu agente. A partir daí, muitos de seus trabalhos passaram a ser representados no Royal Court Theatre e logo reconhecidos e encenados pelo mundo.

Sarah utilizou-se do pseudônimo Marie Kelvedon para escrever Crave (Falta) criando uma pequena biografia para seu alter ego. Tal medida foi tomada como forma de fugir do furor dos críticos que haviam reagido de forma truculenta ao escreverem sobre Blasted, caracterizando-a como “repugnante e obscena”.

A obra de Sarah Kane se caracteriza pela profundidade psicológica dos personagens e pelas imagens agressivas e chocantes.

Porém, a depressão fez com que a dramaturga fosse internada por duas vezes em hospitais psiquiátricos. Nesse período extremamente conturbado ela escreve 4.48 Psychosis (Psicose 4:48), sua última e mais radical peça. Numa narrativa densa, fragmentada, não-linear 4.48 evidencia uma mente conturbada, depressiva e esquizofrenia à beira da loucura. 4:48 seria a hora em que a maioria dos suicídios acontecem. Esse texto só é encenado após a sua morte no Royal Court Theatre em 23 de Junho de 2000 sob a direção de James MacDonalds (o mesmo que produziu Blasted e dirigiu Cleansed).

A depressão faz com que Sarah Kane tente suicídio sem sucesso com pílulas para dormir, mas em 20 de fevereiro de 1999 a escritora inglesa se enforca no banheiro do London’s King’s College Hospital aos 28 anos.”

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3 respostas para “Especial do mês: Sarah Kane

  • André Fabrício

    Sou um jovem e típico artista do interior. Nasci, fui criado, e desenvolvi a minha (ainda curta) vida artística em Paranavaí. Uma cidade pequena aqui da região mas dotada de um legado cultural muito bonito. Comecei no teatro aos 7 anos fazendo oficinas despretensiosas, ou no máximo com a pretensão de perder a – já extinta – timidez. Conheci Sarah Kane aos 15 anos, já com 8 ano de teatro e mesmo com a pouca idade uma bagagem considerável. Hoje, eu posso dizer que Sarah Kane é a dramaturga da rebeldia, a dramaturga da voz, a dramaturga do poder falar, a dramaturga do questionamento, a dramaturga do esfregar na cara, a dramaturga brilhante.

    O Sesc tem um interessante projeto chamado Dramaturgia (é lamentável que a unidade Maringá não tenha acesso a projetos tão bacanas, em alguns momentos me questiono o por quê e ainda não obtive respostas, enfim). Então, Tânia Volpato que toma a frente das questões culturais no Sesc Unidade Paranavaí me convidou pra dirigir uma leitura desse projeto, hesitei um pouco por insegurança, mas tudo mudou quando ela me disse que o dramaturgo em questão era Sarah Kane. Topei na hora. Com receio, muito receio. Eu, um jovem ator do interior, vez ou outra se arriscando na direção dirigir Sarah Kane? Parecia pretensão. Pois bem.
    O fiz.

    Fizemos uma oficina de três dias com uma doutoranda em Sarah Kane do Rio de Janeiro (é, eu não me lembro o nome dela) e discutimos essa curta obra (5 textos teatrais), mas tão densa. Então, depois os três diretores pegaram cada qual um texto de Sarah para dirigir. Nos reunimos numa tarde para discutir e apresentar Sarah Kane, mostrar essa universo tão perturbador, mas que liberta.

    P.s.: Gostei muito do blog. Parabéns pela iniciativa.

    • gustavolemosh

      Primeiramente, muito obrigado pelo comentário André, espero contar com a sua companhia nos próximos posts.

      Particularmente gosto e acredito muito no estilo do texto de Sarah Kane. O que ela diz, o que ela pretende tratar em suas obras, só pode ser dito daquela maneira. Montá-la é mesmo um desafio e tanto, parabéns pela coragem – e pretensão – em encarar essa empreitada.

      Espero contar com a participação dos artistas de Paranavaí, sinta-se em casa para comentar, opinar, criticar e sugerir.

      Gustavo Lemos – Editor

  • Beth Vilasboas

    Sarah Kane nasceu 21 anos depois de mim, teve uma vida tão breve e deixou uma obra de tão alto valor! André, “o jovem típico do interior”, era um menino quando conheceu a dramaturga… E, eu, só ontem ouvi falar pela primeira vez, o nome dessa Artista. E o interessante é que foi justamente no primeiro encontro de Dramaturgia do Sesi, aqui em Foz do Iguaçu. Hoje, tentando saber mais, cheguei a esse blog. E, apesar da impressão de estar tão por fora, tão atrasada, o depoimento do André me deu ânimo para perdoar minha própria ignorância. Afinal resolvi conhecer teatro na minha terceira idade e estou na luta para provar, a mim mesma, que minha alma não é pequena, então há de valer a pena. Adorei! Gustavo, vou passar por aqui de vez em quando, em busca de mais informação. Ok?
    Beth Vilasboas.

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