Arquivo do dia: janeiro 14, 2011

Da escuridão profunda

Crítica sobre a montagem premiada de Roberto Alvim. Direto do Bacante.

“O Quarto é a primeira peça do dramaturgo inglês Harold Pinter e é também a montagem que inaugura a sede do Club Noir, a companhia teatral fundada pelo diretor e dramaturgo Roberto Alvim e pela atriz Juliana Galdino. Neste texto, Pinter centraliza a ação num pequeno quarto, onde moram Rose e Bert, um casal de meia idade.

A montagem é encenada com um mínimo de luz. Também não existe nenhum objeto cênico. O que vemos é um espaço completamente vazio, com diversas poças de água no chão e quatro aberturas que servem para entrada e saída dos atores.

Na cena inicial vemos Rose (interpretada por Juliana Galdino) em pé, completamente estática, discorrendo de maneira alucinada sobre suas preocupações com a alimentação do marido, sobre as suposições com relação a quem seriam os outros moradores daquela casa ou sobre as habilidades do maridão Bert como motorista. Quando finalmente Rose interrompe sua imobilidade, movimenta o braço e anda alguns passos, tem-se a impressão que vemos um fantasma ou uma mulher louca se movimentando. Todo o movimento na peça é completamente anti-natural. As entradas e saídas das personagens ocorrem sem que nada seja visto: a luz simplesmente se apaga e as personagens subitamente estão em cena quando, após alguns segundos, a luz volta a se acender. A impressão que temos é que aquelas personagens sempre estiveram ali, mas não eram notadas porque não estavam falando com Rose. As imagens chegam a ser fantasmagóricas e tudo nos remete diretamente à estética de um filme de terror japonês: as imagens escuras, os corpos inertes e as personagens que só se movimentam com o piscar dos olhos (ou com o apagar das luzes). A diferença é que nenhuma ameaça parece vir de fora, mas somente de dentro de Rose.”

Continua aqui.


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