Harold Pinter por Roberto Alvim

A seguir, trago o texto da jornalista e dramaturga Gabriela Melão para a Bravo!, sobre a estreia da montagem de O Quarto, feita por Roberto Alvim. Pela obra, Alvim ganhou o prêmio Bravo! De melhor espetáculo e a peça foi catalogada como uma das principais montagens brasileiras da década.

Lembro-me que quando Alvim esteve me Maringá, comentou sobre o processo de direção da montagem do texto de Pinter, brincando que o trabalho de leitura e abstração do universo pinteresco lhe consumiu grande parte de sua saúde física e mental.

Na época, enquanto falava sobre os processos de ruptura e tradição na dramaturgia, ele comentou sobre a crítica em cima do trabalho de Pinter,  que declarou que seus textos possuíam buracos inexplicáveis. Em resposta, Pinter disse que era muito mais difícil cavar esses buracos para que todos caíssem.

Fica a dica, o excelente texto de Gabriela Melão, da Bravo! E o vídeo da entrega do prêmio para Roberto Alvim.

O despertar do artista

”O Quarto”, primeira peça de Harold Pinter, provocou uma revolução no teatro quando estreou, há 50 anos. A primeira montagem brasileira do texto evidencia as qualidades que levaram o autor ao Prêmio Nobel

No teatro, mudar uma peça de maneira radical muitas vezes é — por mais contraditório que possa parecer — a melhor maneira de ser fiel a um dramaturgo. Em busca do espírito inovador e do vigor original dessas peças, encenadores do mundo inteiro ousaram  a­tualizar e até editar o texto, por exemplo, de Hamlet, de William Shakespeare, ora levando elementos contemporâneos ao cenário e aos figurinos, ora suprimindo personagens e diálogos — ou ambas as coisas. Para encenar pela primeira vez no Brasil O Quarto, primeiro texto do inglês Harold Pinter, o diretor Roberto Alvim leva a lição ao pé da letra: altera as rubricas (marcações de cena), suprime dois personagens e contraria o cenário realista indicado pelo autor. Nesse exercício de fidelidade heterodoxa, procura corresponder à estatura de um dos dramaturgos mais importantes do século 20.

A peça, que estréia neste mês em São Paulo, inaugura­ o teatro da companhia Club Noir, fundada por Alvim e pela atriz Juliana Galdino em 2007. A parceria entre ambos já rendeu dois espetáculos de grande repercussão: Anátema (2007), com texto do próprio diretor, e Homem sem Rumo (2008), do norueguês Arne Lygre, peça finalista do Prêmio Bravo! Prime de Cultura deste ano. “A gente buscou o renascimento do texto”, diz Juliana sobre O Quarto. Escrita em 1957, a peça mostra como uma mulher, isolada com o marido em seu apartamento, se sente ameaçada por Rieley, um negro que vive no porão.

Completo aqui.

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