Arquivo do dia: janeiro 12, 2011

Cénico entrevista Murilo Lazarin

“Uma produção maringaense como nunca antes feita na cidade

Ben Hur Prado e Murilo Lazarin em ensaio para O Mercador de veneza

No elenco de O Mercador de Veneza, o ator Murilo Lazarin comenta a montagem de Shakespeare, o entrosamento entre as Cias e a representatividade da classe teatral de Maringá.

Cénico – Primeiro, gostaria de saber como surgiu a oportunidade, como foi o convite?
Murilo – Após assistir um espetáculo no teatro da UEM (não me lembro qual), encontrei com o Pedro [Ochôa, diretor]  que falou um pouco sobre o projeto e me convidou para ver  alguns ensaios. A partir de então adentrei ao grupo

Cénico – A montagem é um esforço conjunto  que está envolvendo atores de várias companhias maringaenses. Como está sendo esse diálogo entre grupos?
Murilo – Muito bacana. A troca de experiências é muito boa e o entrosamento está sendo fantástico. O diretor consegue deixar todos à vontade para criar e democratizar seus conhecimentos/experiências, assim cada um contribui com o que tem e aprende com quem tem!

Cénico – De certa forma a classe teatral de Maringá é bem unida. O que você acha que falta para uma representatividade maior?
Murilo – Cara, de certa forma a classe “até que é unida”! Se houvesse alguma representatividade você veria todos os grupos de teatro (os interessados) o ano inteiro apresentando na cidade e região lotando as pautas dos teatros e possivelmente com casas lotadas! Cursos e oficinas durante o ano todo, festivais e mostras culturais envolvendo todos os artistas da cidade. Cada um acaba tocando seus projetos solitariamente ou por falta de incentivo ou por falta de opção ou por falta de união etc, etc, etc. Os grupos só se unem quando nas reuniões da secretaria de cultura para discutir projetos que a sec tem que fazer e prestar contas. A luta por idéias novas fica só no papel, mas ninguém toma frente! Falta é motivação!

Cénico – A peça pretende ser uma montagem de grande porte, com produção artística de qualidade. Como você tá vendo isso nos bastidores, dá pra adiantar pra gente um pouco do que tá sendo preparado? Qual a sua impressão de toda essa estrutura?
Murilo – Uma produção maringaense como nunca antes feita na cidade: Com um elenco de 20 atores, sonoplastia criada exclusivamente para peça, figurinos da época e o cenário, todos elementos muito bem estudados para recriar uma Veneza renascentista.  Além de uma temporada de 21 apresentações consecutivas no teatro da UEM!

Cénico – Poderia falar um pouco sobre o seu personagem?
Murilo – Faço Antonio um cristão bem sucedido em Veneza que nutre uma amizade muito forte por Bassanio. Bassânio, planeja casar-se com Pórcia e Antonio concorda em lhe emprestar o capital necessário para que ele viaje até Belmonte, onde vive Pórcia. Como todo o dinheiro de Antonio está em seus navios que navegam em águas estrangeiras,  ele faz um empréstimo com Shylock, um judeu usurário que concorda em emprestar o dinheiro desde que Antonio empenhe uma libra de sua própria carne como garantia.  Contrariamente ao sentimento afetuoso  existente entre Antonio e Bassânio, existia uma inimzade muito grande entre cristãos e judeus naquela época e é justamente essa repugnância mútua que caminha com Shylock e Antonio durante toda a história.

Cénico – O apelo de Shakespeare “grita” em qualquer montagem que for feita. Para você, que trabalha bem na comédia, como é esse contato com um texto clássico como O Mercador de Veneza?
Murilo – Obrigado pelo “trabalhar bem na comédia”. Está sendo muito bom. Nunca montei Shakspeare e estou tendo a oportunidade de estudar e aprender mais sobre esse autor. É claro que O Mercador de Veneza encenado hoje, não será 100% fidedgno ao daquela época ! Para você ter uma idéias, as peças naquela época duravam cerca de 03h, hoje com a velocidade da nossa sociedade isso com certeza não agradaria o público: calcados na linguagem Shakspeareana optamos por adaptar algumas coisas para que ficassem mais palpáveis e entendíveis nos dias de hoje, principalmente na linguagem!

Para quem não viu:

Aprovada captaçãode recursos para O Mercador de Veneza

O mercador de Veneza, em janeiro

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Harold Pinter por Roberto Alvim

A seguir, trago o texto da jornalista e dramaturga Gabriela Melão para a Bravo!, sobre a estreia da montagem de O Quarto, feita por Roberto Alvim. Pela obra, Alvim ganhou o prêmio Bravo! De melhor espetáculo e a peça foi catalogada como uma das principais montagens brasileiras da década.

Lembro-me que quando Alvim esteve me Maringá, comentou sobre o processo de direção da montagem do texto de Pinter, brincando que o trabalho de leitura e abstração do universo pinteresco lhe consumiu grande parte de sua saúde física e mental.

Na época, enquanto falava sobre os processos de ruptura e tradição na dramaturgia, ele comentou sobre a crítica em cima do trabalho de Pinter,  que declarou que seus textos possuíam buracos inexplicáveis. Em resposta, Pinter disse que era muito mais difícil cavar esses buracos para que todos caíssem.

Fica a dica, o excelente texto de Gabriela Melão, da Bravo! E o vídeo da entrega do prêmio para Roberto Alvim.

O despertar do artista

”O Quarto”, primeira peça de Harold Pinter, provocou uma revolução no teatro quando estreou, há 50 anos. A primeira montagem brasileira do texto evidencia as qualidades que levaram o autor ao Prêmio Nobel

No teatro, mudar uma peça de maneira radical muitas vezes é — por mais contraditório que possa parecer — a melhor maneira de ser fiel a um dramaturgo. Em busca do espírito inovador e do vigor original dessas peças, encenadores do mundo inteiro ousaram  a­tualizar e até editar o texto, por exemplo, de Hamlet, de William Shakespeare, ora levando elementos contemporâneos ao cenário e aos figurinos, ora suprimindo personagens e diálogos — ou ambas as coisas. Para encenar pela primeira vez no Brasil O Quarto, primeiro texto do inglês Harold Pinter, o diretor Roberto Alvim leva a lição ao pé da letra: altera as rubricas (marcações de cena), suprime dois personagens e contraria o cenário realista indicado pelo autor. Nesse exercício de fidelidade heterodoxa, procura corresponder à estatura de um dos dramaturgos mais importantes do século 20.

A peça, que estréia neste mês em São Paulo, inaugura­ o teatro da companhia Club Noir, fundada por Alvim e pela atriz Juliana Galdino em 2007. A parceria entre ambos já rendeu dois espetáculos de grande repercussão: Anátema (2007), com texto do próprio diretor, e Homem sem Rumo (2008), do norueguês Arne Lygre, peça finalista do Prêmio Bravo! Prime de Cultura deste ano. “A gente buscou o renascimento do texto”, diz Juliana sobre O Quarto. Escrita em 1957, a peça mostra como uma mulher, isolada com o marido em seu apartamento, se sente ameaçada por Rieley, um negro que vive no porão.

Completo aqui.


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