Com a palavra, Roberto Alvim

A partir de hoje começo a transcrever aqui no blog trechos da palestra de Roberto Alvim sobre O papel do dramaturgo no teatro contemporâneo. Pra quem não pode ir, é uma boa oportunidade de provar um pouquinho do que ele disse naquela noite.

Pra quem não acompanhou, o Cénico cobriu de perto a passagem de Alvim em Maringá. Foram vários posts trazendo informações sobre o premiado diretor e dramaturgo:

Fotos da Palestra /   O legado de Roberto Alvim /   Mais sobre Roberto Alvim /   O Teatro da Penumbra

E ele começou falando sobre tradição e ruptura no início do teatro. Com a palavra, Roberto Alvim:

O teatro só existe na medida em que ele se reinventa, sempre foi assim desde o início do teatro. É só a gente pensar na Grécia antiga e pensar nos três autores que se destacaram no século quinto: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, os três autores de tragédias. Ésquilo, por exemplo, havia um autor anterior, que era o Téspis, no século VI, que começou com o teatro. O Ésquilo quando escreve suas peças, observa o trabalho de Téspis – que é sempre com um único ator em cena – e ele introduz um segundo ator, criando, pela primeira vez a possibilidade de diálogo em cena.  Então isso já é uma invenção que o Ésquilo promove em cima do trabalho do Téspis.

Quando surge Sófocles, então, ele pega aquela forma do Ésquilo e introduz um terceiro ator em cena, além do quê, como a dramaturgia do Sófocles é uma dramaturgia muito mais ágil, com entradas e saídas muito mais constantes que a dramaturgia do Ésquilo, que é mais estática, ele tira os saltos altos que os atores usavam até então no teatro grego.

Com Eurípedes vem a reformulação completa do teatro, tanto do Ésquilo quanto do Sófocles, com influência do filósofo grego Sócrates, em meados do século quinto. Na Grécia houve uma mudança de paradigma muito grande, criticando e questionando o tempo inteiro, inclusive sobre a existência ou não dos deuses. O trabalho então que o Eurípedes vai fazer no teatro, sofre uma influência muito grande do Sócrates porque já não trabalha a crença nos deuses. Deuses já existem em Eurípedes como símbolos de pulsões humanas, como símbolos de sentimentos e de emoções humanas e não mais como entidades místicas que definem e que regem nossas vidas.

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Uma resposta para “Com a palavra, Roberto Alvim

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