Arquivo do dia: dezembro 7, 2010

Video – Um segundo e meio

Esquentando para os dois monólogos de Marcello Airoldi:

Saiu no O Diário hoje, Capa do D+, uma matéria sobre as duas apresentações. Confira aqui.


Quanto tempo dura um segundo e meio?

Direto da Cia Teatro de Perto.

A vida é cheia de simultaneidades: pensamentos, ações, contradições, felicidades e tristezas, dores banalidades, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Há uma espécie de sincronismo entre pessoas, entre os fatos. Pessoas que nunca se viram vivenciam experiências similares simultaneamente, em lugares diferentes. Assim também aprece ser entre o subconsciente e a razão, pois, apesar de coexistirem, seus conteúdos são revelados em momentos diferentes, e os motivos “disso” e não “daquilo” vir à tona, é um mistério da dialética entre a consciência e a incosciência.

Em estudo científicos sobre tempo e espaço já se aventa possibilidades da existência de um tempo paralelo, com uma dimensão na qual fatos do passado coexistem com os do presente, sem dialogarem entre si, sem uma porta que facilite o contato entre eles.

De qualquer forma, é inegável a esit~encia de um tempo paralelo – ou seria enviesado? – ao tempo do relógio. Pelo menos na poesia.

Em sendo assim, é possível afirmar que a memória é o lugar possível da simultaneidade e diálogo entre passado e presente, como uma ponte entre ancestralidade e o futuro. Ora, onde está o homem que habitará a terra daqui mil anos? Em nós. O futuro passa, assim, a integrar a memória do homem.

No teatro, ciência da alma e da sociedade, é possivel revelar um tempo poético que reserva um estado que contêm todas as coisas, um fragmento de todas as experiências do homem sem cronologia histórica, sem envelhecimento, sem duração, mesmo que para isso o tempo cronológico seja empregado para possibilitar o entardecimento de uma trama apresentada ao público. Então, certa linearidade narrativa se faz necessária, já que ainda somos privados da faculdade de assimilar todas as coisas ao mesmo tempo.

Assim, não soa tão estranho a plenitude da vida, ser condensada num pequeno fragmento de tempo cronológico, instantes antes da morte. Condensada, não diminuida. Poéticamente isso é muito possível. Nesse instante, pleno, um estado diferenciado se instaura, uma capacidade de assimilação e entendimento descomunais distantes das capacidades cotidianas da percepção. Essa totalidade não está na duração do tempo, mas na poesia do instante, vertical, intenso, num tempo impossível de ser contabilizado.

UM SEGUNDO E MEIO – Cia Teatro de Perto

Dia 07/12 – 21h
Oficina de Teatro da Uem

Texto e Interpretação: Marcello Airoldi

Direção: Antonio Januzelli


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