O teatro da penumbra de Roberto Alvim

Aproveitando a visita de Roberto Alvim à Maringá para falar sobre o papel do dramaturgo no teatro contemporâneo, posto aqui um trecho do excelente texto da jornalista e dramaturga Gabriela Mellão, para a edição de Janeiro/2010 da Revista Bravo!.

Três diretores dominaram a cena brasileira nos últimos trinta anos: Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa e Gerald Thomas. Ao lado de Antonio Araújo, encenador do Teatro da Vertigem, e Enrique Diaz, Roberto Alvim é um dos destaques da geração de encenadores que veio para suceder a anterior. Como acontece com Antunes, Zé Celso ou Gerald, são diretores cujo estilo se reconhece facilmente. O de Alvim é marcado por duas características. A primeira, o uso da palavra. Ele faz parte de um time de diretores que aposta na força do texto – no caso do Club Noir, de dramaturgos contemporâneos. Além de Motton e de Pinter, a companhia, nova, já encenou no Brasil o norueguês Arne Lygre (Homem Sem Rumo) e um texto do próprio Alvim (Anátema).

A segunda característica é o trabalho peculiar com a iluminação. Nas peças recentes de Alvim, a escuridão domina a cena, abrindo espaço para o imaginário, fazendo ruir as barreiras entre vida e morte, concreto e abstrato, tempo e espaço. Isso demanda um trabalho rigoroso de preparação vocal dos atores, realizado de modo primoroso sobretudo por Juliana Galdino, uma das mais talentosas atrizes da nova geração, que é também mulher de Alvim e fundadora ao seu lado da Club Noir. Além de resgatar o valor supremo da palavra, a penumbra exige imaginação do espectador para a compreensão da obra. “Temos que enxergar a parcela de vida que ainda não foi sufocada pela tempestade de imagens e barulho do mundo atual”, diz.

Alvim se convenceu a aderir a essa espécie de estética da penumbra também por acaso. Embora possuísse a inclinação para espetáculos com pouca luz, o diretor resistia. “Isso não pode, isso não é teatro”, dizia a si mesmo. Em 2007, poucos dias antes de estrear Homem Sem Rumo, faltou luz na sala de ensaio. “A luz de emergência iluminava muito tenuamente o espaço, e me fez perceber que se você não tem fisionomia, as figuras mudam de estatuto dentro da cena”, diz.

Texto completo, aqui.

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