Arquivo do mês: dezembro 2010

Feliz 2011!

O fim de 2010 encerra também o primeiro mês de vida desse laboratório que é o Cénico. Ainda numa espécie de encumbadora, o blog está tomando corpo e postura, estabelecendo um roteiro de fontes e uma rotina de conteúdo que mais represente essa experiência.

Dentro desses pontos-chave está a divisão dos posts em categorias. Elas classificam o tipo de postagem para facilitar uma procura. São elas:

Em cartaz: As peças que estão em cartaz nos palcos cidade, sempre acompanhando uma cobertura mais detalhada sobre o espetáculo.

Sobrecena: Cobertura de peças, seminários e encontros promovidos na cidade.

Nossa arte: Matérias, reportagens e entrevistas com os artistas que compõem a cena de Maringá, sejam eles atores, dramaturgos, diretores, figuras públicas ou o vigia do teatro.

Vale a pena: Indicações de leitura e colagem de textos publicados em jornais e revistas,  com temas pertinentes, pontuais ou não.

Especial do mês: Um apanhado de conteúdo sobre determinado dramaturgo ou diretor, com biografia, resenha de algumas obras, indicação de leitura e opinião de quem conhece. Para janeiro, o dramaturgo e ativista politico britânico Harold Pinter, entra em cena aqui no nosso blog.

Entre cartazes, resenhas, bastidores e perfis, vamos estabelecendo esse diálogo entre arte, artistas e público.

Um grande abraço, ou melhor, merda pra você.


O mercador de Veneza, em janeiro

Mais uma do Viva Maringá e D+, escrita pelo Massali. A montagem, dirigida por Pedro Ochôa e produzida pela equipe do Ben Hur, parece estar bem afinada para estartar os palcos maringaenses em 2011, e o Cénico estará por perto.

Shakespeare está com data marcada em Maringá. A montagem maringaense de “O Mercador de Veneza” terá sua pré-estreia no dia 21 de janeiro na Oficina de Teatro da UEM. A peça ficará em cartaz numa temporada que vai até 6 de março. A perspectiva é que, depois, o espetáculo faça um circuito regional, estadual e estreie em São Paulo no mês de maio.

A adaptação do clássico escrito por William Shakespeare é uma superprodução teatral local, apesar de fazer sua pré-estreia e toda a temporada local em um teatro de médio porte. A Oficina de Teatro da UEM tem capacidade para 170 lugares.

A peça terá em seu elenco 16 atores e cinco figurantes. Parte da trilha sonora foi composta especialmente para a peça pelo maestro, compositor e professor da UEM, Rael Toffolo. O elenco traz atores dos grupos Circo Teatro Sem Lona, Teatro Universitário de Maringá (TUM) e da Cia. Palco, como Matheus Moscheta, Valéria Bonifácio e Murilo Lazarin. A direção é de Pedro Ochoa e a produção de Ben-Hur Prado, que também atua na peça.

Adaptação

Prado conta que a adaptação de “O Mercador de Veneza” teve como base principal o texto original em inglês escrito por Shakespeare entre 1594 e 1597, em um trabalho coletivo. “A partir desse original fizemos a adaptação e vários cortes no texto. Se montássemos o original seria uma peça com mais de três horas de duração, o que é muito longo para uma peça atualmente”, diz Prado.

O texto original, lembra Prado, era muito calcado na palavra. No período de Shakespeare, essa característica era popular, mas hoje soa perigosamente erudito demais e chega a afugentar parte da plateia. “Quisemos fugir dessa pretensa erudição e aproximar Shakespeare do entendimento contemporâneo. Deixá-lo com uma linguagem mais contemporânea”, diz.

Continua aqui.


O que chamamos de dramaturgia moderna e contemporânea brasileira

Garimpando na net, encontrei esse texto no site Dramaturgia Contemporânea, que dá uma breve – e mesmo assim precisa – releitura do que é essa quimera chamada dramaturgia contemporânea. Pra quem tem pouca bagagem, como eu, serve como uma bela apresentação de nomes importantes do teatro na história brasileira. Fica a dica pra quem tem um tempinho e interesse a mais:

“A moderna dramaturgia brasileira tem como marco fundamental dois textos: Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, de 1943 e Eles Não Usam Black Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, de 1958. Apesar dos quinze anos que separam as duas peças elas são identificadas com um mesmo período: o do surto desenvolvimentista pelo qual o país passou entre as décadas de 40 e 50. Vestido de Noiva, que teve sua primeira encenação no mesmo ano em que foi escrita dirigida pelo polonês Ziembinski, ficou durante longo tempo como um marco isolado desse novo momento que despontava na cena nacional. Ao lado do Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo e Os Comediantes no Rio de Janeiro, a cena nacional era desenvolvida através da montagem nacional de peças estrangeiras importadas por essas companhias teatrais que tinham nos atores e nos diretores seu foco principal.

É nesse cenário que é fundado em 1953, por José Renato, recém saído da Escola de Arte Dramática (EAD) o Teatro de Arena, primeira companhia que tinha como projeto o desenvolvimento de um teatro marcadamente nacional e que iria colocar em primeiro plano os autores brasileiros. Isso se efetiva em 1958 com a peça Eles Não Usam Black Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, que pela primeira vez colocava no palco os assuntos prementes da época, tais como as greves políticas e a emancipação da mulher.

Essa modernização iniciou-se no TBC, que inaugurou no país a tradição de montagens dos mais importantes textos contemporâneos produzidos no exterior. Além disso, com o advento da segunda guerra mundial, vários diretores teatrais vieram aportar no Brasil e auxiliaram na renovação de nossa cena, como os italianos Ruggero Jacobi e Giannni Ratto, o já citado polonês Ziembinski, entre outros.

Por sua estrutura de pequena empresa teatral, no nascedouro o Arena era uma espécie de “primo pobre” do TBC, mas com o passar do tempo o grupo foi fundando um projeto específico dentro do nacionalismo crescente, que tinha seu símbolo máximo no presidente da república recém empossado- tomou posse em 1956-, Juscelino Kubitschek. Época que tinha como lema o famoso “cinquenta anos em cinco”. O surto desenvolvimentista influenciava todas as áreas e, atingiu também o teatro, que até então não tinha sido nem tocado pelo modernismo do início do século. Cinco anos depois da fundação do Teatro de Arena, em 1958, era fundado também em São Paulo o Teatro Oficina, que ao lado do Arena, marcou esse momento de “modernização” do teatro nacional.

Após a montagem de alguns textos estrangeiros, a discussão sobre o papel do autor nacional toma o Arena de chofre e faz com que em 1957 seja ali fundado um curso de dramaturgia coordenado pelo diretor e dramaturgo Augusto Boal- pois ele já tinha estudado nos EUA e conhecia técnicas dramatúrgicas e de direção -ensejou também o aparecimento do texto Eles Não Usam Black Tie, de Gianfrancesco Guarnieri. Após esse texto, o Teatro de Arena funda o Seminário de Dramaturgia que reunirá os integrantes do grupo e de fora dele para encontros semanais onde o texto teatral será debatido e produzido. Daí sairão autores como Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha e Chico de Assis.

Nessa época de intensa modernização do teatro nacional, autores despontam em diferentes estados: em 1955, Jorge Andrade escreve A Moratória, em São Paulo. Em 1956 é escrito, no Recife, O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Em 1958, o já citado Eles Não Usam Black Tie, de Gianfrancesco Guarnieri. Seguindo a criação no Arena, Vianninha escreve em 1959, Chapetuba Futebol Clube. Em 1960, no Rio de Janeiro, Dias Gomes escreve seu antológico O Pagador de Promessas e Augusto Boal escreve A Revolução na América do Sul.

A década de 60 inicia-se, assim, com importantes peças e um cenário efervescente de jovens dramaturgos antenados com os temas importantes do momento histórico. Em 1967 o estilo cru de Plínio Marcos adentra a cena com força total com a peça Dois Perdidos Numa Noite Suja. Esse processo sofre um drástico corte com o advento do golpe militar, em 1964. A década de 70 apresenta autores lutando para driblar a censura cada vez mais feroz. Essa década vê nascer uma geração de mulheres como Leilah Assunção, Consuelo de Castro e Maria Adelaide Amaral, que ao lado de Zé Vicente, João das Neves e Antônio Bivar farão textos que refletirão o momento de censura pelo qual o país passava. O final da década de 70 e início dos anos 80 vê dominuir o papel do dramaturgo e dos textos teatrais, reflexo do movimento de censura. Essa ficará conhecida como a década dos encenadores e terá as encenações marcantes de diretores como Antunes Filho, em São Paulo e de grupos como Asdrúbal Trouxe o Trombone no Rio de Janeiro.

Os anos 90 iniciam com o surgimento de uma geração de autores que vêm escrevendo de maneira mais continuada desde a década anterior, como Luís Alberto de Abreu e Bosco Brasil. Os dramaturgos desse período retomam a tradição do início desse processo e partem para a ação, muitas vezes montando e atuando em seus textos, como é o caso de Mário Bortolotto, dramaturgo, diretor e ator paranaense que desponta na cena teatral paulistana com seu grupo Cemitério de Automóveis depois de uma década  de trabalho em seu estado de origem. Nos anos 90 houve algumas tentativas de volta ao trabalho coletivizado de estudo e criação de textos. Um bom exemplo disso foi o Grupo dos Dez, dirigido por Luís Alberto de Abreu, que trouxe à cena dramaturgos como Mário Viana, Antônio Rocco, Marici Salomão, entre outros.

O final dos anos 90 virá surgir uma dramaturgia coletivizada, realizada dentro dos grupos de pesquisa teatral, o que ficará conhecido como Processo Colaborativo. Grupos como Cia do Latão e Teatro da Vertigem, irão trazer um novo olhar sobre o texto e sobre a cena teatral. Ao mesmo tempo muitos autores continuam realizando seu trabalho autoral, como Aimar Labaki, Fernando Bonassi, Samir Yazbek, entre outros. Os estudos de dramaturgia voltam a aparecer com mais assiduidade e nos anos 2000 muitos novos autores chegam à cena: Newton Moreno, com seu premiado Agreste, Sérgio Roveri e autores jovens que levam seus textos à cena como João Fabio Cabral, Fabio Torres, Marcos Gomes, Leonardo Cortez, entre tantos outros. Assim, no atual momento há muitos autores despontando no cenário teatral, com a característica marcante de levar seu texto à cena, dirigindo e atuando em suas próprias criações.

Breve panorama sobre o papel do texto teatral

A discussão sobre o papel do texto na cena teatral segue sem muitos sobressaltos, com a idéia da hegemonia do texto, do século XVII até fins do século XIX quando as vanguardas artísticas, acentuadamente as ocorridas na Rússia, tendo à frente os diretores Meyerhold e Stanislavski, chacoalharam a arte da representação teatral, trazendo para primeiro plano o encenador e os atores. Na esteira desse debate surgem Artaud, na década de 20, na França; Brecht, na década de 30, na Alemanha- que se não punha em cheque o texto em si, o reestabelecia, com o teatro épico, em bases completamente diferentes das propostas até então pela tradição dramática. Esse movimento segue com o surgimento na década de 50 do chamado teatro do absurdo, que põe em cheque o nexo até então considerado como “totem” sagrado do texto teatral.”


Patricia Kamis para Gazeta

Daniel Castellano/Gazeta do Povo

A beleza da Imperfeição

Particularmente, admiro muito o texto de Luciana Romagnolli, setorista de teatro da Gazeta, que está de mudança para Minas. Nesse, ficou bem afinada a química entre o estilo da jornalista e a entrevistada, Patrícia Kamis, uma das revelações da dramaturgia paranaense.

Integrante da primeira turma do Núcleo de Dramaturgia do Sesi Curitiba, Patrícia é mais uma que se destaca na cena da capital. Ao lado do marido, o dramaturgo, diretor e também integrante do núcleo, Pretto (Preto Galioto), conquistou o Gralha Azul de Melhor Espetáculo Infantil, com o Grupo Camelo, pela peça Lendas Japonesas.

Além de participar de Oxigênio, da CBT (Cia Brasileira de Teatro), Patrícia também foi destaque esse ano ao participar da montagem de Como se Eu Fosse o Mundo, texto de Paulo Zwolinski que ganhou vida e voz na direção de Roberto Alvim. Como autora, escreveu (Em) Branco, e Tempestade de Areia, essa última um verdadeiro desafio de montagem e interpretação, que nem a própria autora diz pronta para encenar.


Com a palavra, Roberto Alvim

A partir de hoje começo a transcrever aqui no blog trechos da palestra de Roberto Alvim sobre O papel do dramaturgo no teatro contemporâneo. Pra quem não pode ir, é uma boa oportunidade de provar um pouquinho do que ele disse naquela noite.

Pra quem não acompanhou, o Cénico cobriu de perto a passagem de Alvim em Maringá. Foram vários posts trazendo informações sobre o premiado diretor e dramaturgo:

Fotos da Palestra /   O legado de Roberto Alvim /   Mais sobre Roberto Alvim /   O Teatro da Penumbra

E ele começou falando sobre tradição e ruptura no início do teatro. Com a palavra, Roberto Alvim:

O teatro só existe na medida em que ele se reinventa, sempre foi assim desde o início do teatro. É só a gente pensar na Grécia antiga e pensar nos três autores que se destacaram no século quinto: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, os três autores de tragédias. Ésquilo, por exemplo, havia um autor anterior, que era o Téspis, no século VI, que começou com o teatro. O Ésquilo quando escreve suas peças, observa o trabalho de Téspis – que é sempre com um único ator em cena – e ele introduz um segundo ator, criando, pela primeira vez a possibilidade de diálogo em cena.  Então isso já é uma invenção que o Ésquilo promove em cima do trabalho do Téspis.

Quando surge Sófocles, então, ele pega aquela forma do Ésquilo e introduz um terceiro ator em cena, além do quê, como a dramaturgia do Sófocles é uma dramaturgia muito mais ágil, com entradas e saídas muito mais constantes que a dramaturgia do Ésquilo, que é mais estática, ele tira os saltos altos que os atores usavam até então no teatro grego.

Com Eurípedes vem a reformulação completa do teatro, tanto do Ésquilo quanto do Sófocles, com influência do filósofo grego Sócrates, em meados do século quinto. Na Grécia houve uma mudança de paradigma muito grande, criticando e questionando o tempo inteiro, inclusive sobre a existência ou não dos deuses. O trabalho então que o Eurípedes vai fazer no teatro, sofre uma influência muito grande do Sócrates porque já não trabalha a crença nos deuses. Deuses já existem em Eurípedes como símbolos de pulsões humanas, como símbolos de sentimentos e de emoções humanas e não mais como entidades místicas que definem e que regem nossas vidas.


A ministra Anna de Hollanda

Na disputa de lobbys, o apoio de Chico Buarque à candidatura de Dilma venceu a tentativa de Juca Ferreira em ficar à frente do MinC. Abaixo, segue bom texto da equipe de agências da Gazeta do Povo.

A escolhida pela presidente Dilma Rousseff para comandar a pasta da Cultura, além de cantora e atriz, foi coordenadora de Música da Funarte e, nos últimos três anos, a vice-diretora do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro.

O lobby do atual ministro da Cultura, Juca Ferreira, para continuar no cargo acabou não rendendo resultado. A presidente eleita, Dilma Rousseff, optou pelo nome da cantora e atriz Ana de Hollanda, irmã do compositor Chico Buarque, para comandar a pasta, que tem um orçamento global de R$ 2,3 bilhões, conforme dotação deste ano. Com a escolha, prevaleceu a ideia de Dilma de ter uma mulher à frente do cargo. O nome da artista, ex-diretora de Música da Funarte, foi sugerido pelo PT do Rio de Janeiro.

Recebida com desalento no Ministério da Cultura, que ainda contava com a possibilidade de permanência de Ferreira, a indicação da cantora Ana de Hollanda teve, de maneira geral, boa acolhida no meio cultural. “Foi uma escolha feliz e oportuna”, diz o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, liderança na articulação política do setor de cinema. “Ela tem uma compreensão moderna da cultura e não faz parte de jogos de cartas marcadas.” Mesmo quem aderiu ao movimento “Fica Juca” considerou boa a opção. “O que não queríamos é uma indicação política, que colocasse no ministério alguém sem ligação com o setor”, diz Pena Schmidt, diretor do Auditório Ibirapuera.

Continue lendo aqui.

Há alguns dias, antes de ser declarada a decisão de Dilma, postei aqui um texto da Revista Cult sobre Juca Ferreira, o atual coordenador da pasta. Pra quem não viu, vale a pena.


Atores e Atores S/A

Domingo é dia de teatro no Shopping Mandacaru Boulevard. Nada de Papai Noel, sacolas vermelhas ou temas natalinos. É a própria vida do ator o tema da comédia “Atores & Atores S/A”, que os maringaenses da Companhia Palco apresentam neste domingo às 20h30 no Espaço Cultural do shopping.

Esse é um trecho da matéria do Massali para o D+ no O Diário de domingo

Em março, quando estrearam no Barracão, pude ver a comédia dos meninos da Cia. Palco, Julian Oscar, Murilo Lazarin e Leandro Foz, apresentando os bastidores de uma companhia de teatro. Apresentações comerciais, musicais e stand-up comedy entram no repertório dos atores que, literalmente, rebolam pra levantar uns trocados.

Gostei da temática e o texto de Leandro foz também defendeu bem a ideia, mas alguns pontos pareciam repetitivos, como as cenas de dublagem que Julian interpretava Elvis e Roberto Carlos. Voltando à cena – como informa a matéria – a Cia. Optou por somente um bloco de dublagem e deu mais espaço para o Stand-up dos atores.

Particularmente fiquei curioso para ver a nova montagem. Julian Oscar e Leandro Foz eu já tinha acompanhado em destaque em Elektroencefalodrama, e nesse eu destaco a atuação de Murilo Lazarin, que arrebentou em março. Enfim, fica o convite e a dica para o final de semana.

Cia Palco – http://www.ciapalco.art.br/


%d blogueiros gostam disto: